Saiu na Alemanha esse CD aí, Groovy Therapy e tem
a minha gravação O SAMBA QUE EU NÃO FIZ, de
1963.
É bom saber que a música da gente acalma as pessoas.
Era muito fácil desenhar o Luiz. A camisa pra fora da calça, sempre de mangas compridas, a capanga debaixo do braço. A calva precoce ornamentava o sorriso
franco, a alegria permanente, o humor sem arrogância, sem palavrões.
Era uma personalidade o meu amigo; estiloso, poeta fino, fiel às origens suburbanas.
Tinha uma visão social aguda, que a sua música constantemente retratava, sem
nunca resvalar para o panfletarismo rasteiro.
Seu sobrenome artístico não era de Isabel, mas sim da Penha, e para a escola
do azul e branco ajudou a cunhar o megasucesso Valeu Zumbi..
Ele se foi muito cedo. As rodas de samba ficam mais pobres. A cultura perde.
Os papos de madrugada adentro, sempre inteligentes e bondosos, vão ficar faltando.
Resta seguir a indicação do seu verso definitivo: o show tem que continuar...
Essas aí, Débora e Beatriz, são duas jóias do coroa aqui. Ambas têm o DNA da música,
cantam direitinho e até trabalham comigo, vez por outra, nos palcos da vida.
Assim, a gente tem que ser coruja, não?
Quem não está na foto é o Leonardo, outra cria bacana, que vou postar num próximo
blog
Essa é a turma da cobertura de Carnaval da Rádio Tupi Am, Rio de Janeiro.
Da esquerda para a direita: Luiz Fernando, Hiram Araújo , eu, Eugênio Leal,
Tárcio Santos e Claudio Ferreira
Essas aí, Débora e Beatriz, são duas jóias do coroa aqui. Ambas têm o DNA da música,
cantam direitinho e até trabalham comigo, vez por outra, nos palcos da vida.
Assim, a gente tem que ser coruja, não?
Quem não está na foto é o Leonardo, outra cria bacana, que vou postar num próximo
blog.
Foi em 1985. Estava assistindo televisão quando deparei com o Carlos Imperial na tela,
falando mal de Saturnino Braga, seu adversário na eleição daquele ano a Prefeito do
Rio de Janeiro. Logo notei que o argumento do Imperial era meio capenga. Dizia ele
que Saturnino não conhecia a cidade e nem era carioca. Seria de Campos.
Guardei aquilo na cabeça e quando me chamaram, semanas depois, para compor a
música da campanha do candidato do PDT, a minha primeira pergunta foi sobre onde
o Saturnino havia nascido. Disseram-me então que ele era do bairro da Glória.
Aí fiquei tranqüilo e em poucas horas compus o samba. Bem, se Saturnino era um
homem reconhecidamente honesto, um bom senador, então o que tentariam colar
nele seria a pecha de não ser do Rio. Dei então uma de radical. No primeiro verso
eu já dizia que ele era carioca da gema e que conhecia a cidade de Santa Cruz a
Ipanema, para bloquear logo de cara qualquer coisa em contra.
É CARIOCA DA GEMA
CONHECE O RIO DE COR
DE SANTA CRUZ A IPANEMA
É SATURNINO O MELHOR
O Wagner Teixeira, coordenador da campanha, começou logo discordando. Como
eu poderia afirmar aquilo. Para ele, carioca da gema seria uma pessoa que além de
nasce no Rio tinha que ter pai e mãe cariocas. Contestei que isso era um absurdo,
dificilmente alguém teria esse perfil, numa metrópole de imigrantes como a nossa.
Perguntei se ele conhecia alguém assim, ele pensou e logo respondeu que não.
Então eu expliquei, que na minha investigação eu descobrira que carioca da gema
era o cara nascido no centro do Rio, mais ou menos no limite da antiga CTB, do
taxi na bandeira 1, que ia do perímetro de Bonsucesso até o final do Leblon, pois
o município, antiga capital do Brasil, era encravado no Distrito Federal.
Ele resmungou mas acabou concordando, dizendo que a responsabilidade era minha,
e tal...
Mudar o primeiro verso, colocando carioca da Glória ao invés de da gema seria mutilar
a composição, perder uma boa rima e torná-la artificial. Bati pé e assim foi. Depois
a música foi o maior sucesso, o Saturnino se elegeu, e ganhei até a Medalha de Ouro
do Prêmio Colunistas Nacional desse ano.
Mas a origem da expressão ainda está em discussão... Carioca da gema... quem é ?
Estamos comemorando o centenário dessa figura lendária, talvez o símbolo máximo da Mangueira.
Melodista excepcional, apesar de não ter estudado música formalmente; poeta dos mais completos
embora não tenha passado do curso primário, Carlota representa o que o Rio de Janeiro tem de melhor:
a arte acima de qualquer carência, a força da criação superando tudo.
Neste momento, os críticos se debruçam sobre sua obra e destacam as pérolas mais preciosas,
citando essa ou outra composição como sendo a mais bonita.
Bem, vou dar meu palpite. Pra mim, a peça que chama mais a atenção é ACONTECE,
que tem uma linha de acordes inteiramente inusitada, que entra com uma simplicidade única.
É uma passagem, considerando-se estar no tom de Dó maior, em que a melodia salta
para Lá bemol maior, uma solução muito requintada, quase nunca usada em música popular.
É naquele verso em que ele diz – acontece que já não sei mais amar...
As notas seguem o sentido da letra, propondo uma oposição de idéias, outro conteúdo,
casando perfeitamente a expressão melódica com a intenção poética. Genial.
Estamos comemorando o centenário dessa figura lendária, talvez o símbolo máximo da Mangueira.
Melodista excepcional, apesar de não ter estudado música formalmente; poeta dos mais completos embora não tenha passado do curso primário, Carlota representa o que o Rio de Janeiro tem de melhor: a arte acima de qualquer carência, a força da criação superando tudo.
Neste momento, os críticos se debruçam sobre sua obra e destacam as pérolas mais preciosas, citando essa ou outra composição como sendo a mais bonita.
Bem, vou dar meu palpite. Pra mim, a peça que chama mais a atenção é ACONTECE, que tem uma linha de acordes inteiramente inusitada, que entra com uma simplicidade única.
É uma passagem, considerando-se estar no tom de Dó maior, em que a melodia salta para Lá bemol maior, uma solução muito requintada, quase nunca usada em música popular. É naquele verso em que ele diz – acontece que já não sei mais amar...
As notas seguem o sentido da letra, propondo uma oposição de idéias, outro conteúdo, casando perfeitamente a expressão melódica com a intenção poética. Genial.
Gerdal é uma figuraça. Inteligente como ele só, escrevendo sempre no melhor
estilo, é tremendo conhecedor de tudo que se passa na música brasileira.
Transcrevo o que ele transmitiu hoje em seu mailing , divulgando de maneira
carinhosa meu show no Vinícius Show Bar. O endereço do Gerdal é
gerdaljpaula@gmail.com. Se quiserem saber qualquer coisa de MPB, é com
ele mesmo:
Curiosamente nascido no Bairro Imperial
no feriado da Independência Nacional, em setembro de 1937,
o cantor e compositor Reginaldo Bessa retorna nesta noite
de terça-feira, 7 de outubro, a Ipanema, levado pelo
braço do amigo violão, para um show no Vinicius
(Rua Vinicius de Moraes, 39 - tel.: 2523-4757), às 22h.
É do romântico Reginaldo, aliás, na parceria com Nei Lopes,
a autoria de um dos sambas mais encantadores que já ouvi,
que muito me sensibiliza a cada audição, de título shakespeariano:
"Sonho de uma Noite de Verão". Adversários no "desfile principal"
da passarela do samba, o salgueirense Nei e o portelense
Reginaldo, nos anos 70, ainda se juntariam para a criação de,
entre outras belezas, uma homenagem singela e de bom requebrado
à escola de Madureira: "Azul Portela", gravação hoje rara da sumida
cantora Sônia Lemos, irmã do saudoso poeta Tite de Lemos.
"O Tempo", recentemente relançado em CD de
Claudette Soares - remasterização de elepê dos anos 70 da cantora -,
é outro samba-canção de primorosa feitura, defendido por
Reginaldo num festival da TV Globo e que se tornaria uma
das principais lembranças extraídas do seu balaio autoral.
Saltando nos anos até 1993, nesse inspirado carioca –
também premiado criador de "jingles" e produtor de discos
exemplares do Época de Ouro e do baiano Batatinha,
entre muitos outros artistas - teria origem um grande sucesso
de Alcione, "Qualquer Dia Desses". Morando e trabalhando em
Buenos Aires entre 1962 e 1964, Reginaldo teve a chance de fazer,
pela CBS local, um dos primeiros discos de bossa nova lançados
no exterior, "Amor en Bossa Nova", e, em 27 de abril deste ano,
apresentou-se no Teatro Colón de Mar del Plata, acompanhado
pela Banda Municipal dessa cidade. (Há registro disso no YouTube,
e um dos links é http://www.youtube.com/watch?v=AipH97ugj8w)
Ainda hoje, além de suas músicas, Reginaldo mostra que "tem dendê"
no roteiro do show e lembra o Caymmi, por exemplo, de "365 Igrejas",
entre tantos sucessos sem conta que esse mestre de mestres deixou.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Gerdal é uma figuraça. Inteligente como ele só, escrevendo sempre no melhor
estilo, é tremendo conhecedor de tudo que se passa na música brasileira.
Transcrevo o que ele divulgou hoje em seu mailing , divulgando de maneira
carinhosa meu show no Vinícius Show Bar. O endereço do Gerdal é
gerdaljpaula@gmail.com. Se quiserem saber qualquer coisa de MPB, é com
ele mesmo:
Curiosamente nascido no Bairro Imperial no feriado da Independência Nacional, em setembro de 1937, o cantor e compositor Reginaldo Bessa retorna nesta noite de terça-feira, 7 de outubro, a Ipanema, levado pelo braço do amigo violão, para um show no Vinicius (Rua Vinicius de Moraes, 39 - tel.: 2523-4757), às 22h. É do romântico Reginaldo, aliás, na parceria com Nei Lopes, a autoria de um dos sambas mais encantadores que já ouvi, que muito me sensibiliza a cada audição, de título shakespeariano: "Sonho de uma Noite de Verão". Adversários no "desfile principal" da passarela do samba, o salgueirense Nei e o portelense Reginaldo, nos anos 70, ainda se juntariam para a criação de, entre outras belezas, uma homenagem singela e de bom requebrado à escola de Madureira: "Azul Portela", gravação hoje rara da sumida cantora Sônia Lemos, irmã do saudoso poeta Tite de Lemos.
"O Tempo", recentemente relançado em CD de Claudette Soares - remasterização de elepê dos anos 70 da cantora -, é outro samba-canção de primorosa feitura, defendido por Reginaldo num festival da TV Globo e que se tornaria uma das principais lembranças extraídas do seu balaio autoral. Saltando nos anos até 1993, nesse inspirado carioca - também premiado criador de "jingles" e produtor de discos exemplares do Época de Ouro e do baiano Batatinha, entre muitos outros artistas - teria origem um grande sucesso de Alcione, "Qualquer Dia Desses". Morando e trabalhando em Buenos Aires entre 1962 e 1964, Reginaldo teve a chance de fazer, pela CBS local, um dos primeiros discos de bossa nova lançados no exterior, "Amor en Bossa Nova", e, em 27 de abril deste ano, apresentou-se no Teatro Colón de Mar del Plata, acompanhado pela Banda Municipal dessa cidade. (Há registro disso no YouTube, e um dos links é http://www.youtube.com/watch?v=AipH97ugj8w) Ainda hoje, além de suas músicas, Reginaldo mostra que "tem dendê" no roteiro do show e lembra o Caymmi, por exemplo, de "365 Igrejas", entre tantos sucessos sem conta que esse mestre de mestres deixou.
Um bom dia a todos. Muito grato pela atenção.
Minha mãe completa hoje 90 anos. Está em plena forma, distribuindo como sempre
muito amor e carinho. Os amigos estão em festa. E eu, filho agradecido, só posso
erguer as mãos para o céu...
Eis algumas das músicas que estarão no repertório, terça-feira, dia 7:
O TEMPO
SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
TRÊS RAÇAS TRISTES
365 IGREJAS
FRAGMENTOS
SEM COMPROMISSO
GAROTA DE IPANEMA
SÁBADO EM COPACABANA
QUALQUER DIA DESSES
VATAPÁ
VOCÊ JÁ FOI À BAHIA?
SEXTO ANDAR
O SAMBA QUE EU NÃO FIZ
SAMBA DISSONANTE
FREVO DO ORFEU